Uma vez no campo de férias... ahahah adoro sempre este início de frase... Bom uma vez o campo de férias fiz rappel suspenso duma ponte. Fui das últimas pessoas a subir para depois descer e à medida que cada um se aventurava o meu estômago ia-se contorcendo com a espera. Via as diferentes reacções e ouvia os diferentes comentários quando “aterravam” em segurança. Mas por mais que cada um deles chegasse bem eu nunca consegui evitar o permanente pensamento de que quando fosse a minha vez algo de mal ia acontecer. Esta ideia ia e vinha e eu tentava a todo o custo afastá-la e desfrutar do momento único que seria descer por uma corda suspensa duma ponte.
Quando cheguei lá a cima e finalmente coloquei o material de segurança e me posicionei para descer, o medo foi mais forte do que eu e berrei que afinal não queria. Quis desistir!! Nunca que eu ia ser capaz de tal coisa, onde estava eu com a cabeça? O instrutor de actividades radicais ainda me segurava pelo cinto e ia descendo o meu corpo um bocadinho mais de cada vez que me dizia que todos os outros tinham descido e que eu ia ser capaz e ia adorar. Insistia que não queria e quase me agarrei ao seu braço ou mesmo à própria ponte, tudo menos descer por aquela instável corda.
Quando já não tinha mais voz e estava já tão baixa que se o instrutor me continuasse a segurar acabaria por saltar da ponte, cedi... Segurei a corda com a mão esquerda à frente e a mão direita atrás por baixo do rabo e deixei-me ir em segurança. E a experiência foi BRUTAL!! Ainda hoje não há palavras para a vista que tinha lá de cima e que se ia modificando à medida que ia descendo. Não existiu mais nada naquele momento além de mim e do resto do mundo que se apresentava visto daquela altura.
Hoje é isso que sinto. Um frio no estômago como se fosse de novo saltar duma ponte e mesmo com corda algo me diz que tudo pode acontecer. Aquele medo quando estou lá em cima que me diz que não vou conseguir, misturado com aquele entusiasmo de quem vai viver algo único e impossível de renunciar. Enquanto vejo outras pessoas partirem e chegarem o meu coração acelera porque ambos partilhamos um adeus um mesmo olhar para os que ficam.
Sempre tive medo de nunca vir a ser capaz de abrir a porta e sair, mas cada vez mais sinto que é isso que tenho de fazer... E isso, apesar de tudo, deixa-me inexplicavelmente feliz!!!

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